O estrelismo no evangelho e a pregação de si: o egoísmo disfarçado de santidade
Nos dias atuais, é cada vez mais comum observarmos líderes religiosos e pregadores que se destacam não apenas pela mensagem que proclamam, mas pela imagem que constroem de si mesmos. O estrelismo no evangelho é uma realidade preocupante, onde o foco parece estar mais na exaltação pessoal do que na exaltação de Cristo.

A busca pela glória própria
A Bíblia nos adverte claramente sobre o perigo da busca pela glória pessoal. Em Mateus 6:1, Jesus nos instrui: “Guardai-vos de fazer a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus.” Esse alerta evidencia que a motivação errada ao realizar obras aparentemente espirituais pode comprometer o propósito genuíno do evangelho.
O apóstolo Paulo também faz um apelo contra a autopromoção em Gálatas 6:14, onde diz: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.” Aqui, Paulo reconhece que qualquer motivo de glória verdadeira vem de Cristo e não de nós mesmos.
Pregação de si mesmo: um egoísmo mascarado
Muitos, ao subirem aos púlpitos ou diante de câmeras, utilizam discursos motivacionais travestidos de sermões bíblicos. As palavras “ministério”, “chamado” e “propósito” se tornam ferramentas para autopromoção, em vez de instrumentos para edificação da igreja.
A Bíblia, entretanto, nos exorta a nos esvaziarmos de nós mesmos. João Batista declarou em João 3:30: “É necessário que ele cresça e que eu diminua.” Uma vida cristã genuína não se preocupa em acumular seguidores, curtidas ou aplausos, mas em conduzir as pessoas ao arrependimento e à transformação em Cristo.
Quando o egoísmo se disfarça de santidade
O estrelismo no evangelho muitas vezes é defendido com discursos de falsa humildade, frases prontas como “Toda glória a Deus” enquanto, na prática, o foco é o reconhecimento pessoal. Esse tipo de comportamento nada mais é do que um egoísmo disfarçado de santidade, uma tentativa de buscar validação e aplausos dos homens.
Jesus nos alerta contra essa postura em Mateus 23:5-7: “E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios e alongam as franjas dos seus mantos; e amam os primeiros lugares nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: Rabi, Rabi.”
A verdadeira humildade e serviço
O verdadeiro seguidor de Cristo entende que sua missão é servir, não ser servido. Jesus, o Filho de Deus, sendo Rei e Senhor, lavou os pés dos discípulos como exemplo de humildade (João 13:14-15). A liderança cristã genuína é marcada pelo serviço e não pela vaidade.
Conclusão
O estrelismo e a pregação de si mesmo distorcem a essência do evangelho, que é a exaltação de Cristo e o serviço ao próximo. Que possamos buscar a simplicidade e a humildade, lembrando sempre das palavras de Jesus: “Quem quiser ser o maior entre vós, seja vosso servo” (Mateus 20:26).
Que a nossa pregação e testemunho sejam para a glória de Deus e não para a exaltação do nosso próprio nome.