Sonhos sempre foram um território misterioso na experiência humana. Para os cristãos, que depositam sua confiança em Deus e na proteção divina, acordar assustado após um pesadelo pode gerar estranhamento, culpa ou até medo espiritual. Afinal, se Deus está conosco, por que nossa mente produz cenas tão perturbadoras durante o sono?

Essa é uma dúvida comum entre pessoas de fé, e a resposta envolve aspectos teológicos, psicológicos e espirituais.
1. O que a Bíblia diz sobre sonhos?
As Escrituras estão repletas de relatos de sonhos — alguns dados por Deus, outros apenas fruto da mente humana. José, filho de Jacó, Daniel e o José, pai terreno de Jesus, tiveram sonhos proféticos. Mas nem todo sonho tem origem divina.
O livro de Eclesiastes (5.3) afirma: “O sonho vem quando há muitas preocupações”. Essa é uma chave importante: os sonhos podem ser reflexo do que vivemos, pensamos e sentimos. Deus não é o autor da confusão (1 Coríntios 14.33), e isso inclui sonhos que geram terror e angústia.
2. O peso da alma e a mente subconsciente
Crentes não são imunes ao estresse, à ansiedade, ao cansaço emocional ou a traumas. A vida moderna expõe todos nós a um fluxo intenso de informações, notícias preocupantes e pressões cotidianas. Durante o sono, o cérebro processa essas experiências e, por vezes, as transforma em narrativas assustadoras.
Ter pesadelos não é sinal de falta de fé, mas sim de humanidade. A mente não perde sua complexidade bioquímica e psicológica simplesmente porque alguém se converteu.
3. Existe batalha espiritual no sono?
Algumas correntes teológicas acreditam que o sono pode ser um momento vulnerável para ataques espirituais. De fato, há passagens bíblicas que mencionam “terrores noturnos” (Salmos 91.5). No entanto, o mesmo salmo também assegura: “Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voa de dia”.
A orientação bíblica é clara: a proteção de Deus não falha, ainda que nossa mente produza imagens perturbadoras. O salmista declara: “Em paz me deito e logo adormeço, porque só tu, Senhor, me fazes viver em segurança” (Salmo 4.8). A segurança não está na ausência de pesadelos, mas na presença de Deus mesmo quando eles vêm.
4. O que fazer quando os pesadelos persistem?
Sonhos ruins ocasionais são normais. Mas quando se tornam frequentes e intensos, é importante considerar algumas atitudes:
- Oração e entrega: Antes de dormir, entregar o sono ao Senhor e pedir paz à mente.
- Cuidado com o que se consome: O que assistimos, lemos e ouvimos antes de dormir influencia nossos sonhos.
- Acompanhamento profissional: Sonhos recorrentes e perturbadores podem estar ligados a questões emocionais que exigem ajuda psicológica. Buscar um profissional não é falta de fé, é sabedoria.
- Palavra de Deus: Meditar em promessas bíblicas sobre paz, descanso e proteção fortalece a mente antes do sono.
5. Culpa e acolhimento
Muitos crentes sentem culpa por sonharem com coisas que consideram pecaminosas ou blasfemas. É importante compreender que o sonho não é um ato deliberado da vontade. Ninguém escolhe o que sonha. Condenar-se por isso é carregar um peso que Deus não colocou.
Romanos 8.1 afirma: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. A graça de Deus alcança também nossa mente inconsciente.
Conclusão
Sonhar com coisas horríveis não anula a fé de ninguém. Não é sinal de maldição, fraqueza ou abandono divino. É, antes, uma expressão da nossa condição humana, que ainda aguarda a redenção plena — inclusive do nosso corpo e da nossa mente.
Até lá, seguimos crendo que, mesmo nas noites mais escuras, a luz de Cristo brilha sobre nós. E que, ao despertar, podemos orar como o salmista: “Tu, Senhor, me guardarás e me livrarás de todo mal” (Salmo 121.7).
O sono pode ser perturbado, mas a alma que descansa em Deus permanece em paz.
Receba as Novidades Grátis !








Deixe um comentário