Vivemos em uma época que celebra a tolerância absoluta, onde a ideia de que algo ou alguém pode ser “aborrecido” ou “detestado” é frequentemente vista como politicamente incorreta ou antiquada. No entanto, as Escrituras nos apresentam um Deus que, sendo a própria essência do amor (1 João 4:8), também possui um ódio santo e intransigente pelo mal. Esse ódio não é uma paixão descontrolada como a humana, mas uma reação perfeita e imutável da Sua santidade contra tudo o que destrói a vida, a verdade e o amor que Ele criou.

7coisasquedeusabomina-683x1024 As 7 Coisas que Deus Abomina: Um Mergulho na Santidade Divina e Suas Consequências

Em Provérbios 6:16-19, encontramos uma das passagens mais contundentes da Bíblia sobre este aspecto do caráter de Deus. O rei Salomão, inspirado pelo Espírito Santo, lista sete atitudes que o Senhor não apenas desaprova, mas que aborrecem e abominam a Sua alma. Mas por que Deus as abomina? E quais as consequências para aqueles que persistem em praticá-las? Neste artigo, vamos explorar cada uma dessas sete coisas em profundidade, entendendo a raiz do seu perigo e o destino daqueles que escolhem trilhar esse caminho.

“Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos.” (Provérbios 6:16-19, NVI) 

1. Olhos Altivos: A Rebelião do Orgulho

A lista começa com “olhos altivos”. Esta expressão descreve a pessoa arrogante, que olha para os outros com desdém e para si mesma com excessiva autoimportância . É o pecado que lança o olhar para o alto, como se não precisasse de Deus ou do próximo .

Por que Deus abomina?
Porque o orgulho foi a raiz da queda de Lúcifer (Isaías 14:12-15; Ezequiel 28:17). O orgulho é a usurpação do trono de Deus pelo “eu”. O altivo declara, com sua postura, que é autossuficiente e superior, colocando-se acima dos outros e do próprio Criador . O orgulho é a antítese da cruz de Cristo, que foi o maior exemplo de humildade e esvaziamento (Filipenses 2:5-8) . O orgulho endurece o coração e impede o arrependimento, pois quem se acha justo não vê necessidade de um Salvador.

Quais as consequências?
A Bíblia é clara: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6) . A consequência do orgulho é a resistência divina e a queda inevitável. “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16:18). Nabucodonosor, rei da Babilônia, é um exemplo clássico: por sua arrogância, foi humilhado por Deus, vivendo como animal por sete tempos, até aprender que o Altíssimo domina sobre todos (Daniel 4:28-37) . O orgulho cega para a realidade, e a consequência é o abatimento e a destruição.

2. Língua Mentirosa: A Arma do Pai da Mentira

O segundo item é a “língua mentirosa”. Não se trata apenas de uma mentirinha ocasional, mas de um estilo de vida enganoso, onde a verdade é distorcida ou manipulada para benefício próprio .

Por que Deus abomina?
Deus é a Verdade (João 14:6). Ele é absolutamente fiel e confiável. A mentira, portanto, tem uma origem diametralmente oposta a Ele. Jesus foi incisivo ao afirmar que o diabo é “mentiroso e pai da mentira” (João 8:44) . Aquele que usa a mentira como ferramenta está, conscientemente ou não, alinhando-se com o reino das trevas e fazendo a obra do inimigo . A mentira corrompe o tecido social, destrói a confiança e impede que os relacionamentos floresçam na verdade.

Quais as consequências?
A mentira tem um poder autodestrutivo. O salmista compara o mentiroso a alguém que “cava um poço e cai na cova que fez” (Salmo 7:15) . Além das consequências sociais, como a perda de credibilidade e o isolamento, há uma consequência espiritual eterna. O livro do Apocalipse é taxativo: “Ficarão de fora… todo aquele que ama e pratica a mentira” (Apocalipse 22:15) . A mentira nos desqualifica para habitar na presença Daquele que é a Verdade Absoluta. Como está em Provérbios 19:5: “A testemunha falsa não ficará impune, e o que profere mentiras não escapará” .

3. Mãos que Derramam Sangue Inocente: O Desprezo pela Vida

A terceira abominação são as “mãos que derramam sangue inocente”. Este é um pecado de violência física, mas que se estende a qualquer ato que tire a vida ou a dignidade de um indefeso . A Bíblia cita Caim como o primeiro exemplo, que por inveja matou seu irmão Abel (1 João 3:12) .

Por que Deus abomina?
Porque o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26). Atentar contra a vida de um inocente é atentar contra a imagem do próprio Deus. É rejeitar o mandamento “Não matarás” (Êxodo 20:13) e desprezar o fato de que Deus é o autor e mantenedor da vida. A violência, especialmente contra os indefesos (como os não-nascidos, as crianças e os vulneráveis), é uma afronta direta ao coração protetor de Deus .

Quais as consequências?
A consequência primária é a maldição sobre a terra e sobre a vida do violento. No relato de Caim, a própria terra clamou por justiça (Gênesis 4:10). No Antigo Testamento, a violência foi um dos motivos para o juízo do dilúvio (Gênesis 6:13) e para o exílio de Israel (Ezequiel 8:17) . No Novo Testamento, Paulo adverte que os que praticam tais coisas “são dignos de morte” (Romanos 1:32), não apenas a morte física, mas a morte eterna, a separação de Deus, a menos que haja arrependimento. A justiça divina é perfeita, e todo sangue inocente derramado será requerido (Deuteronômio 32:43).

4. Coração que Maquina Planos Perversos: A Fábrica do Mal

O quarto item foca na origem de todas as ações: o coração. Não basta não praticar o mal externamente; Deus sonda as intenções e os pensamentos. O “coração que maquina planos perversos” é aquele que deliberadamente planeja o mal contra o próximo, que sente prazer em arquitetar a desgraça alheia .

Por que Deus abomina?
Porque isso revela uma natureza completamente corrompida e distante de Deus. Jesus ensinou que é do coração que procedem “os maus pensamentos, homicídios, adultérios” (Mateus 15:19). Deus não julga apenas o ato consumado, mas a intenção do coração. O “projeto iníquo” mostra que o mal não é um acidente de percurso, mas um estilo de vida premeditado e desejado . É o oposto do que Deus deseja: um coração puro, que busca a justiça e o bem (Salmos 51:10).

Quais as consequências?
A consequência é que a pessoa se torna escrava dos seus próprios planos. Provérbios 1:18-19 adverte que aqueles que armam emboscadas contra outros “armam emboscadas contra a própria vida” . A perversidade do coração cega a pessoa para o fato de que ela está cavando a sua própria cova. No juízo final, Deus trará à luz “os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12). Quem maquinou o mal será julgado por seus pensamentos e desejos, não apenas por seus atos externos.

5. Pés que se Apressam para Fazer o Mal: A Pressa para Pecar

O quinto item são os “pés que se apressam para fazer o mal”. Isso fala sobre a prontidão, a disposição e a velocidade com que alguém corre em direção ao pecado . É o oposto daquele que foge da aparência do mal e se esforça para praticar o bem.

Por que Deus abomina?
Porque isso demonstra um amor e um apetite pelo pecado. A pessoa não apenas cede à tentação quando ela aparece, mas a busca ativamente. Ela tem pressa em fazer o mal, sente prazer na correria para a transgressão . Isso contrasta radicalmente com o exemplo de José, que fugiu da mulher de Potifar, ou de Jó, que fazia aliança com seus olhos para não pecar. A pressa para o mal revela um coração que já está vendido ao pecado.

Quais as consequências?
A Bíblia adverte: “Quem corre para o mal corre para a sua própria morte” (Provérbios 11:19, interpretação livre). Essa pressa leva a tropeços, decisões ruins e destruição . É o caminho largo que leva à perdição (Mateus 7:13). Aquele que se apressa para o mal não tem tempo para refletir, para ouvir a voz da consciência ou do Espírito Santo. Ele colherá os frutos amargos dessa precipitação, e seus passos o levarão para longe da presença de Deus.

6. Testemunha Falsa que Profere Mentiras: A Corrupção da Justiça

O sexto pecado, a “testemunha falsa que profere mentiras”, é uma repetição e um agravamento do pecado da mentira . Agora, a mentira é usada no contexto da justiça, da comunidade, do testemunho contra o próximo. É a fofoca, a calúnia e o falso testemunho que condenam um inocente ou justificam um culpado .

Por que Deus abomina?
Porque subverte a base de qualquer sociedade justa e saudável. Deus é um juiz justo, que defende o órfão, a viúva e o necessitado. A testemunha falsa ataca frontalmente esse atributo divino. Provérbios 25:18 compara o falso testemunho a um “pedaço de pau, uma espada ou uma flecha aguda” – ou seja, é uma arma letal usada para destruir a reputação e a vida de uma pessoa . Isso é usar a língua para destruir em vez de edificar.

Quais as consequências?
A maldição pronunciada sobre o falso testemunho é severa: “A testemunha falsa não ficará impune” (Provérbios 19:5) . Além de sofrer as consequências legais e sociais quando descoberta, a pessoa que dá falso testemunho carrega sobre si o juízo de Deus. O salmista Davi ora para que Deus confunda os lábios mentirosos que falam insolência contra o justo (Salmo 31:18). No juízo final, teremos que dar conta de cada palavra frívola que proferirmos (Mateus 12:36). A mentira com intenção de prejudicar é uma abominação que clama por justiça divina.

7. O que Semeia Contendas entre Irmãos: O Ápice da Destruição

Finalmente, chegamos ao sétimo item, aquele que a Bíblia diz que a “alma de Deus abomina” com uma ênfase especial: “o que semeia contendas entre irmãos” . Este pecado é a “cereja do bolo” do mal, pois une todos os outros: usa a língua mentirosa, a falsidade, a perversidade do coração e a pressa para o mal, com o objetivo de destruir o bem mais precioso para Deus na Terra: a comunhão entre os seus filhos .

Por que Deus abomina?
Porque ataca o coração do Evangelho: o amor e a unidade. Jesus orou fervorosamente para que seus discípulos fossem um, assim como Ele e o Pai são um (João 17:21). A unidade dos irmãos é onde o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Salmo 133). Semear contendas é plantar o joio no meio do trigo, é destruir a família, a igreja e as amizades. É fazer exatamente o oposto do que Cristo veio fazer: reconciliar. O “difamador separa os maiores amigos” (Provérbios 16:28) . Por isso, Deus não apenas odeia, mas abomina essa prática, pois ela fere Seu coração de Pai, que deseja ver Seus filhos vivendo em paz .

Quais as consequências?
A consequência para o semeador de contendas é gravíssima. Ele é comparado a um incendiário, e seu destino é ser excluído da comunhão que ele mesmo destrói. Em Romanos 16:17, Paulo ordena que nos afastemos daqueles que causam divisões. Em Tito 3:10, a orientação é evitar o homem faccioso depois de admoestá-lo uma ou duas vezes. O semeador de contendas não herdará o Reino de Deus, pois as suas obras são manifestas: são obras da carne, e “os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gálatas 5:19-21) . Ele será tratado como alguém que não tem o Espírito de Deus (Judas 1:19).

Conclusão: O Caminho da Vida vs. O Caminho da Abominação

As sete coisas que Deus abomina são, na verdade, um retrato do caminho da morte. Elas revelam um coração humano em rebelião contra Deus e em guerra contra o próximo. São atitudes que destroem a alma, arruínam relacionamentos e atraem o juízo divino. O ódio de Deus por essas coisas não é um capricho, mas a expressão do Seu amor pela justiça, pela verdade, pela paz e pela vida. Ele odeia o pecado porque ama o pecador e sabe que o pecado leva o homem à perdição.

Mas a boa notícia do Evangelho é que há esperança! Em Cristo, até mesmo aqueles que praticaram essas abominações podem encontrar perdão e transformação. O apóstolo Paulo, que um dia foi um perseguidor e “cúmplice” da morte de inocentes, escreveu: “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Coríntios 6:11).

Portanto, que este texto sirva não apenas como um alerta sobre as consequências do pecado, mas como um convite à autoanálise e ao arrependimento. Deus nos chama para abandonar os olhos altivos, a língua mentirosa, a violência, a perversidade, a pressa para o mal, a falsidade e as contendas. Ele nos convida a vestir a humildade, falar a verdade, proteger a vida, ter um coração puro, correr para o bem, ser testemunhas fiéis e promover a paz. Pois, no final, não se trata apenas de evitar o que Deus odeia, mas de amar o que Ele ama e andar no caminho que leva à vida eterna em Sua presença.

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